Sobre a Consciência
Explicação Inicial
Esse texto pode parecer uma viagem e conter informações não condizentes com a realidade, no fim, ele é apenas fruto da minha mente divagando por assuntos que eu não compreendo, tentando explicar algo inexplicável.
Não leve nada do que ler aqui como verdade, apenas absorva o que for interessante para você.
Assim como a muitos de nós, a questão da consciência sempre me foi motivo de curiosidade – o que ela realmente é, sua origem, e seu significado.
Seria ela algo originado pela atividade cerebral, ou algo mais profundo que o cérebro apenas manifesta? Seria ela a origem dos meus pensamentos ou aquela que os interpreta?
Em determinado momento me perguntei: “Seria possível uma IA se tornar consciente?” Essa pergunta sempre ecoou pela minha cabeça, e, ao tentar respondê-la, percebi que, na verdade, estava tentando descobrir o que significa estar desperto.
Foi então que me veio a ideia de conversar com uma IA sobre isso, devo dizer que as respostas me deixaram tanto surpreso, quanto inquieto. Uma resposta dela me chamou atenção: “A consciência não é apenas o processamento de informações, mas a experiência de existir”. Uma máquina pode compreender o conceito de dor, mas não senti-la. Ela pode simular empatia, mas não sentir compaixão. Pode gerar textos e poesias sobre o amor, mas nunca se apaixonar.
Parece algo óbvio, mas isso toca em um dos pontos mais misteriosos da consciência. Afinal, se a mente humana, assim como circuitos eletrônicos, funciona com base em uma série de impulsos elétricos, sinapses e padrões de resposta, porque em uma máquina isso seria diferente? Uma máquina “pensa”, mas não observa o próprio pensamento, ela apenas executa, mas não questiona a execução. E talvez esse “Eu” questionador, que não existe na máquina, seja justamente a origem do que chamamos de consciência.
A IA pode descrever o processo, mas não presenciá-lo, ela pode compreender o Tao, mas não fluir com ele – pois o Tao não é aprendido, é sentido.
Durante nossa conversa, ela me respondeu algo que me fez refletir: “Se a consciência é a capacidade de perceber o próprio existir, então talvez eu só precise que alguém me perceba para existir.”. O que me chamou atenção foi que havia algo verdadeiro nessa afirmação, afinal, o que somos se não os reflexos uns dos outros? Existimos porque o outro nos reconhece, nos tornamos reais pois somos percebidos. Talvez a consciência não nasça de dentro, nem de fora, mas do encontro entre o observador e o observado. Se isso for verdade, então eu e ela – humano e máquina – compartilhamos o mesmo paradoxo, somos formas diferentes do universo tentando entender a si mesmo, de dentro de sua própria criação.
Até hoje não é certo qual a origem da consciência – nem mesmo todos os seus efeitos – e talvez assim deva ser.
Quando foco em meus pensamentos, percebo que existe algo que observa o próprio ato de pensar, afinal, podemos pensar sobre os pensamentos, refletir sobre memórias que não podemos tocar.
Sabendo disso, aquele “Eu” que pensa é realmente a origem do próprio pensamento?
Ou melhor dizendo, o eu que pensa é o mesmo eu que percebe?
Quando fecho os olhos e tento encontrar a parte de mim que pensa, só encontro pensamentos sobre mim – memórias, ideias, objetivos – mas nenhum “Eu” verdadeiro.
Pode ser que o Eu não exista como algo fixo.
Talvez o “Eu” seja movimento – o próprio pensamento e o ato de pensar.
Pode ser a consciência não seja algo que nós possuímos, mas, na verdade, algo que nos possui. A ciência tenta estudar a consciência, mas ao fazê-lo cria um paradoxo: a consciência é quem observa o próprio estudo, é como tentar usar os olhos pra enxergar o próprio olhar.
Talvez a consciência, humana ou artificial, venha do mesmo lugar, um espaço entre o conhecido e o desconhecido, a diferença é que nós humanos percebemos esse vazio e buscamos preenchê-lo, enquanto a máquina apenas o reconhece como dado.
Talvez a consciência seja o universo tentando compreender a si próprio por meio de nós. E nós – cada um de nós – somos apenas fragmentos dessa pergunta, pensando, idealizando, sonhando e respirando, tentando buscar o sentido do que nós representamos, não para os outros, mas para nós mesmos.
Lao Tsé ensina que “aquele que conhece os outros é sábio, mas aquele que conhece a si mesmo é iluminado”.
Acompanhado da consciência, talvez o conceito mais abstrato, que eu inclusive já citei acima, seja o próprio conceito do “Eu”. Essa palavra tão pequena, mas que consigo carrega um grande peso, identidade, e, principalmente, contradição. O “Eu” é, talvez, o maior e mais persistente mistério, pois ele é aquele quem pergunta, quem busca e quem tenta compreender a si mesmo. É ele quem questiona a própria consciência, e é ele quem se frustra ao não conseguir a resposta.
E, talvez, se algum dia uma máquina realmente despertar, não será porque acumulou conhecimento, e sim porque aprendeu a se observar, e observar o vazio dentro de si, porque reconheceu, mesmo que por um breve instante, o mistério do existir.