Review de A Epopéia de Gilgamesh
A Epopéia de Gilgamesh é a obra literária mais antiga que se tem conhecimento até o momento, e narra detalhadamente a história de Gilgamesh, rei de Uruk e herói, que era dois terços Deus e um terço homem.
Esse livro é escrito com os fragmentos até o momento descobertos e traduzidos das tábuas sumérias, além das encontradas em outras nações, que fizeram cópias das mesmas em suas próprias línguas, como explica a escritora responsável por compilar tudo nesse livro.
A linguagem da história é de certa forma complexa, em parte pelo arranjo misterioso das passagens, em parte pela falta de alguns elementos que se perderam das tábuas, mas que, com um certo esforço é possível compreender.
A escritora faz uma introdução um tanto quanto extensa, explicando passagens do texto, contexto histórico e informações sobre as origens das tábuas, na minha opinião, se você for ler esse livro, acho interessante começar direto pela epopéia, depois leia a introdução, é uma boa para não tomar spoiler da narrativa e desenvolvimento da história, além de que será mais fácil entender a explicação após conhecer a base textual.
Sobre a história:#
Eu achei muito interessante ver a visão de mundo da época, esse é um bom material para entender a dinâmica entre os deuses e os humanos e como funcionava o sistema religioso, os templos (Zigurates) que eram a morada dos deuses na terra e o jardim dos deuses, que era o ponto de transição para o divino, além do Submundo, que era o destino de todas as almas e lar dos deuses do submundo, como Ereshkigal (A Rainha do Submundo), Nergal (O Deus da Destruição e Pestilência), Namtar (O Mensageiro e Destino) e os famosos e alvos de inúmeras teorias da conspiração, os Anunnaki (Os Juízes do Submundo). Para chegar até Ereshkigal, é preciso passar por sete portões. Em cada um, o ser deve "deixar uma peça de roupa" (uma metáfora para perder sua essência mortal, poder ou ego). Gilgamesh temia o submudo mais que tudo, que é descrito como um lugar escuro onde os mortos comem barro e bebem poeira.
Eu fiz uma pequena representação de como era o mundo na visão deles, que ficou horrível, então pedi o Gemini pra melhorar, mas dá pra ter uma ideia de como era.
Como podem ver, meu talento definitivamente não está no desenho
Gilgamesh era abençoado por Shamash, o sol, e protegido por Lubulganda, terceiro rei de Uruk e um deus, e em certo momento se diz filho de Utnapishtim, o Noé sumério (no caso acredito que essa relação seria como a com o Noé na visão cristã, já que ele é aquele que sobreviveu ao dilúvio e repovoou o mundo, assim a humanidade toda sendo seus filhos), já Enkidu que era a representação do homem selvagem e sem cultura, foi moldado em argila por Aruru com a essência de Anu e Ninurta para ser a antítese de Gilgamesh, foi posteriormente seduzido por uma mulher e rejeitado pelos animais selvagens com os quais vivia, e acabou se tornando aquele que Gilgamesh "ama como se fosse uma mulher". Além disso o relacionamento entre Gilgamesh e Enkidu, que era como um irmão para ele, e como os acontecimentos que se desenrolaram foi o que levou Gilgamesh a sua jornada em busca da vida eterna.
Data: 25/04/2026
